OS "EXCESSOS" DA COPA 2014



Olhem bem a imagem acima. Trata-se do (velho) Estádio Vélodrome em Marselha, que já sediou duas Copas do Mundo, a de 1938, ainda nos tempos românticos do futebol, e a de 1998, já na era moderna do futebol-marketing, quando recebeu a semifinal da competição.

Repito, notem bem a imagem.

Localizado em uma das maiores cidades de um dos países mais ricos do mundo, além de duas Copas do Mundo, sediou uma Eurocopa em 1984.

Trata-se de um estádio que não é totalmente coberto, que tem um fosso separando o público do campo e que foi inaugurado em 13/06/1937. Portanto, um estádio antigo e pouco propenso a grandes modernizações.

A imagem dele está aí para demonstrar que o Caderno de Encargos da FIFA está sendo divulgado no Brasil como justificador de gastos excessivos para a Copa de 2014.

Ontem, o governador de São Paulo, José Serra, indo contra a maré de jogar dinheiro público a fundo perdido no evento, reclamou do excesso de obrigações que têm sido impostas para o Morumbi, como forma de pressionar pela construção de um estádio completamente novo ao custo de ao menos 1 bilhão de reais, condizente com a grandeza econômica da cidade mais importante do hemisfério sul.

O Vélodrome é prova de que a FIFA não exige arenas multi-uso perfeitas para a realização de uma Copa do Mundo. A FIFA não exige 100% dos lugares cobertos, como tem se divulgado insistentemente. A FIFA não proíbe que uma mesma cidade receba duas sub-sedes.

Ou seja, estão planejando gastos colossais em estádios públicos brasileiros como o Maracanã (que segundo os histéricos de plantão não pode receber a Copa sem um grande prédio de estacionamentos e sem cobertura integral, por mais que isso atente contra o tombamento histórico dele), o Mineirão e os estádios de Brasília, Natal e Manaus, sem contar a construção de um estádio completamente novo aventada para o Recife.

EM 1986, o México limitou-se a usar os estádios da Copa de 1970 com algumas reformas. Os italianos até hoje se perguntam do por quê dos gastos na Copa de 1990, em estádios que os clubes recusaram por suntuosos demais e mesmo inadequados ao futebol moderno. Em 1994, os EUA promoveram a copa do mundo mais bagunçada(conquanto mais lucrativa) da história, na qual improvisaram estádios de futebol americano e basebol, sem que a FIFA levantasse um "ui" contra isso.

O Brasil quer fazer uma copa como a da Alemanha ou Japão-Coréia, mas não tem capacidade financeira para tal. Arrisca se enterrar em gastos públicos excessivos, deixando de colocar dinheiro precioso em educação, saneamento, saúde e segurança pública, apenas para supostamente cumprir um caderno de encargos que ninguém efetivamente respeita, agradando apenas os políticos manipuladores de orçamentos.