RENAN CALHEIROS: Capítulo II

No dia 28/05 eu escrevi o seguinte: "Dá a leve impressão que o senador está trocando um fato de repercussão grande e menos grave, o apoio a lobbistas, por outro, de repercussão pequena, mas muito mais grave, a sonegação fiscal, visto que, até agora, não foi capaz de explicar como paga suas contas"

Pois é. Ontem, o Jornal Nacional, que dificilmente levanta denúncias contra próceres do governo (e Renan é um deles, é da cúpula da base aliada no Congresso), informou que há indícios que o senador usou documentos frios para justificar os rendimentos com os quais teria pago a jornalista Mônica Veloso. E apesar do relator do proceso ético, senador Epitácio Cafeteira bem tentar, a decisão sobre a questão foi adiada de hoje para a semana que vêm, aumentando os rumores de que pode haver renúncia e inclusive cassação.

Modéstia à parte, cantei a bola antes.

A defesa do senador foi calcada na suposta comprovação de ele ter rendimentos para pagar a pensão de sua filha para a jornalista Mônica Veloso, mas ela não faz menção em si ao ato de pagar, conforme a versão da imprensa. Por essa razão, eu não me conformei e imediatamente sugeri que era forte a possibilidade de existir sonegação fiscal.

Não estou afirmando nada, apenas especulando, reitero que o senador é acusado e dependendo das provas, inocente. Mas os indícios vão se acumulando e, quando partem de um órgão de imprensa notoriamente pouco afeito a levantar questões contra a elite da política nacional, eles pesam, e muito!