O BRASIL EM TÓPICOS

1. ALERTA, RADAR!

Quando pensamos que o Brasil atinge o nível máximo de cretinice, eis que constatamos outro indício de que ainda há muito para piorar.

Aqui, em Curitiba, o prefeito Beto Richa, que não é ruim, resolveu sinalizar todos os medidores de velocidade com fitas reflexivas verdes na pista, de modo que nenhum motorista seja multado sem plena consciência da bobagem que cometeu. Não basta só a placa indicativa do limite de velocidade, há que se colocar um anúncio de neon de boate "show girl" sobre o radar!

E agora, a partir de janeiro passado, a medida de sinalização próxima dos radares chegou às estradas federais. Alexandre Garcia, da Rede Globo, comentou esta manhã que no último feriado os acidentes fatais aumentaram em 33%, por conta do excesso de velocidade. Ou seja, o motorista irresponsável não observa o limite de velocidade da via, ao aproximar-se de um radar, diminui. E passando por ele, volta a acelerar sabendo que, agora, com a redação do novo decreto federal, se for multado "de surpresa" consegue a anulação da multa.

É surreal!A lei só precisa ser cumprida dentro de uma faixa, fora dela, o ato ilícito é protegido. Depois se perguntam porque morre tanta gente no nosso trãnsito... a demagogia dos senhores políticos está sem freios.

2. BEBIDA AO VOLANTE?

Há uma Lei Federal que proíbe bares, restaurantes, biroscas e congêneres de vender bebidas alcoólicas ao longo de rodovias.

E as rodovias brasileiras são campeãs mundiais de acidentes causados por excesso de álcool, não raro é possível ver uns palermas jogando latas de cerveja pela janela.

Se é para redigir decretos estúpidos, como o citado no item anterior, porque não edita-se um mandando cumprir a Lei que é ignorada?

Ninguém fiscaliza isso, porque os votos dos comerciantes de beira de estrada são importantes, e a demagogia nacional não pode prescindir deles.

3. VAVÁ.

Uma boa solução para a maior parte dos problemas do país é tornar inelegíveis os candidatos que tenham pais, irmãos, filhos, esposa e amantes. Os cargos públicos deveriam ser todos ocupados por pessoas solitárias.

Diminuiria pra caramba o número de lobistas no Congresso, o número de cargos em comissão para gente que não trabalha e os abusos cometidos com o dinheiro público, quem sabe, até os "presentes" dados por empreiteiras.

No caso do irmão do presidente Lula, há um fator que ninguém analisou até agora: ele não tem capacidade intelectual para constatar que o seu tráfico de influência é ato ilícito.

Não estou entrando no mérito da culpabilidade do irmão do homem. Com efeito, o tráfico de influência neste país é arraigado em todos os níveis do Estado e atire a primeira pedra o partido político que não tenha integrantes que já não o praticaram.

O Brasil é o país do jeitinho e do "você sabe com quem está falando?" isso é um fato, como também é fato que deputados pedem ajudas financeiras para quebrar galhos de empresas e de movimentos sociais como o MST, e que cada ação penal envolvendo corruptos implica numa romaria de políticos aos tribunais e juízes, ou traficando influência para ganhar tempo e facilitar a prescrição, ou coagindo na cara dura mesmo.

Se Vavá, irmão do presidente praticou tráfico de influência, efetivamente é crime.

Mas sinceramente, fazer estardalhaço por conta disso e atazanar a vida do presidente soa demagógico num contexto em que o Judiciário e o Ministério Público nacionais estão inoperantes no trato de coisas muito piores como o Mensalão, os Sanguessugas e a questão Navalha.

Se é para encher a paciência do presidente, julguem e ponham na cadeia os mensaleiros et caterva, muitos deles, correligionários, com muito mais influência e ligação política com o presidente que o seu irmão. Uma coisa é um Delúbio Soares ou Zé Dirceu, acusados em casos como os citados, que trabalhavam na sala ao lado, outra é o Vavá, que o presidente só vê de vez em quando.

Mas sem estardalhaço, puna-se todo mundo!