UM PERIGO QUE VEM DO SUL

Desde que foi reeleito por margem de pouco mais de 10 mil votos, o governador do Paraná, Roberto Requião, aproveita toda e qualquer oportunidade para atacar os órgãos de imprensa, denegrir adversários políticos e arranjar outros, à guisa de difamar quem não concorda exatamente com tudo o que ele pensa, além de vingar-se do que ele entende que foi uma campanha orquestrada pela imprensa durante as eleições, para tirá-lo do Palácio Iguaçú.

Para o leitor ter uma idéia, o dono dos jornais Tribuna e Estado do Paraná, Paulo Pimentel, foi candidato a senador na chapa do governador em 2002. Eleito Requião, Pimentel foi nomeado presidente da COPEL, um dos cargos públicos mais cobiçados e importantes no estado.

Em meados de 2006, Paulo Pimentel retirou-se da COPEL após um extraordinário trabalho de recuperação da empresa (que fez dela uma das maiores do mundo em sua área) e poucos dias depois, seus jornais que sempre estiveram sobre o muro, noticiaram fatos corriqueiros da administração estadual, mas que, por várias razões, feriram o ego do governador, que passou a tratar Pimentel como (mais) um inimigo a ser bombardeado sem dó nem piedade.

Não bastasse a briga anterior que o governador já tinha com o maior grupo de comunicação do estado, a RPC, ele passou então a atirar contra o GPP, de Pimentel, que é o segundo lugar no ranking das comunicações paranaenses e, em contrário do que acontece no resto do país, muito próximo em faturamento e "share" publicitário da associada das organizações Globo.

Fora isso, o governo Requião boicota também as organizações Folha de Londrina, de propriedade do ex-ministro e senador José Eduardo de Andrade Vieira. E mais que isso, todos os pequenos órgãos de imprensa são ignorados e tratados a caneladas pelo governo do Estado, que para tentar compensar esse estrago da área de comunicação social, hoje, pateticamente remete malas diretas para jornalistas como estratégia de comunicação.

Pior, transformou a TV Educativa em uma TV estatal no melhor estilo daquelas que existem em Cuba, na Coréia do Norte e na Venezuela e que existiam na antiga Cortina de Ferro. Com efeito, a TVE do Paraná hoje serve de palanque eletrônico pouco eficaz para as aparições diárias do senhor governador, sempre generoso em atacar adversários e não discutir as várias denúncias de corrupção que a imprensa têm levantado e seus assessores não têm explicado, mesmo não sendo demitidos apesar de constrangerem a figura do governador que, diga-se em sua defesa, é um homem sobre quem não pesa nenhuma denúncia de corrupção, embora se saiba que responde dezenas de ações cíveis e criminais por difamação e calúnia.

Com efeito, o problema até não seria esse, se a administração estadual não estivesse imobilizada com um secretariado provisório e poucas ações concretas, todas elas abafadas pelos ímpetos vingativos do senhor governador, que por mera contrariedade chega a levantar suspeita de fraude em licitação por pregão eletrônico, promovida pela sua própria administração, caso acontecido recentemente, quando o Grupo Paulo Pimentel venceu a concorrência da COPEL para publicar suas demonstrações financeiras, quando o governador alegou que este grupo entrou em acordo com a RPC para tanto, um verdadeiro disparate, considerando-se que a concorrência entre as empresas é acirrada em todo o estado.

Escrevo tudo isso, porque Requião é candidato declarado à presidência da república e eu já notei que, fora do Paraná, ele conta com um "status" de homem público corajoso e impoluto, um verdadeiro caçador de bruxas ou marajás, exatamente o tipo de político populista que o Brasil já cansou de eleger com sérias consequências.

É certo que ainda é cedo para tratar da presidência em 2010, mas devemos nos prevenir. Acho que o candidato à sucessão que tiver o apoio do presidente Lula será franco-favorito e embora o presidente venha se mostrando coerente e sereno em relação a isso, a radicalização do processo político pode levar a uma candidatura de Requião, que além de todos os defeitos (e virtudes) já citados, é declarado bolivariano, inclusive nos métodos políticos adotados pelo coronel ditador da Venezuela.

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O aviso está dado.

PS:
Sandro e Blogildo.
Obrigado pelos comentários. Eu não disse que Requião tem chances, disse que, dependendo da radicalização do processo político, ele pode ter chances, porque é um radical linha dura, stalinista bolivariano de carteirinha. Ele agrada os petistas, na remota hipótese do PT cumprir o trato de deixar o PMDB lançar candidato à presidencia em 2010,