OCTÁVIO FRIAS DE OLIVEIRA E A IMPRENSA BRASILEIRA

A imprensa brasileira, apesar de todos os seus defeitos é de regra pluralista, democrática e de altíssima qualidade.

Há quem diga que é conservadora e direitista, mas são pessoas contaminadas pelo ranço do totalitarismo, aversas às opiniões contrárias e ao debate de idéias. Não preciso dizer quem são ou onde se encontram tais pessoas, mas o fato é que elas não conservam o hábito de, quando não a fim de discutir, simplesmente não ler, ouvir ou assistir aquilo com o que não concordam. Preferem pedir o fechamento do órgão de imprensa que têm como inimigo, ou, pior, censura para que ele se adeque aos seus interesses personalíssimos ou às suas visões tacanhas e limitadas de mundo.

Com efeito, no Brasil há publicações e órgãos de imprensa para todos os gostos e tendências, basta deixar o ódio ensandecido de lado.

A propósito do falecimento do "publisher" da Folha de S.Paulo, Octávio Frias de Oliveira, veio-me à memória uma lista dos grandes homens que fundaram a imprensa brasileira e deixaram os grandes conglomerados de mídia que existem hoje. Além dele mesmo, Frias, cujo arrojo do jornal levou à modernização gráfica e editorial inclusive dos concorrentes, a lista conta com Victor Civita que fundou a maior editora de revistas do país e criou Veja, uma das maiores revistas de informação semanal, numa lista onde encontram-se Time, Newsweek, Der Spiegel, The Economist e outras. Também a família Mesquita. Júlio de Mesquita pai, filho e neto, que lutaram, cada um em seu tempo contra ditaduras, pelo direito de editar nas páginas do Estadão (meu jornal preferido, leio desde adolescente) aquilo que achavam justo. Também Roberto Marinho, que assumiu ainda garoto o recém criado "O Globo" com o falecimento precoce de seu pai, transformando a organização em um verdadeiro império de comunicações. Assis Chateubriand Bandeira de Melo, dos Diários Associados, que trouxe para o Brasil o conceito de imprensa de alcance nacional e o conceito de anúncios publicitários, que entraram na imprensa brasileira por meio de seus jornais. Há ainda muitos, como os Sirotski de Porto Alegre, Francisco Cunha Pereira Filho e Paulo Pimentel aqui do Paraná, os Nascimento Brito, no Rio de Janeiro e outros tantos que criaram grandes empresas de mídia e informação em um país tão pouco afeito à ela.

Octávio Frias de Oliveira deixou sua marca naquela frase que a Folha de S.Paulo sempre estampa em sua capa: "Um jornal a serviço do Brasil". Graças a homens como ele, há muitos outros órgãos de imprensa com a mesma tarefa.