ADEUS, RONALDO!

Depois de sua vitoriosa carreira, Ronaldo não precisa sujeitar-se à cobrança estúpida de torcedores desmiolados, que não raro descamba para a violência na esteira da ignorância de gente que não sabe avaliar a condição humana.

E no fim das contas, ele mesmo acabou reconhecendo que seu físico não suporta mais a rotina e as exigências do futebol profissional. Foi humilde em reconhecer que mesmo os superastros como ele tem um momento de finalizar a carreira. E quando fez isso, acabou sendo humilde em reconhecer que devia ter parado pouco antes.

É a vida. Mesmo o maior dos atletas, aquele cuja genialidade suspendeu guerras e atraiu as atenções de chefes de Estado pelo mundo afora, Pelé, um dia se obrigou a dar adeus ao esporte.

Como também ocorreu com muitos outros gênios das quadras e das pistas, como Zico, Romário, Guga Kuerten, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Oscar Schmitd, etc... só para citar os brasileiros.

Pode ser que alguns torcedores organizados do Corinthians achem que ele, Ronaldo, estava se aproveitando do clube para ganhar uns quebrados em fim de carreira, o que não é verdade, porque sua imagem paga cada centavo dos seus salários e ainda gera lucro ao clube paulistano, sem contar o acréscimo técnico, que Ronaldo efetivamente prestou em 2009 ao voltar para o futebol brasileiro, contribuindo para vencer o campeonato Paulista e a Copa do Brasil.

Não devemos lembrar de uma figura como ele pelos seus defeitos humanos, porque estes, toda pessoa têm. Devemos lembrar da figura pública de Ronaldo como aquele garoto que, angustiado com o empate com a Itália na final da Copa de 1994, pedia para o técnico colocá-lo em campo. Ou ainda do atleta fenomenal que muita gente tinha como acabado, mas que preparou-se para superar-se na Copa de 2002, quando com arrancadas sensacionais e tabelas com Rivaldo, ajudou a trazer o título para alegria do país.

O cidadão Ronaldo Nazário vai tocar sua vida longe dos campos. Mas as (boas) lembranças de suas passagens pelos campos do mundo afora, nós brasileiros, assim como madridistas, milaneses, cruzeirenses e corinthianos, teremos vívidas nas memórias para contar para filhos, netos e sobrinhos e para exaltar os feitos do esporte.