A COPA DE 2014 PODE DOER MUITO NOS NOSSOS BOLSOS

Quem acompanhou o noticiário da Copa das Confederações, constatou que os estádios e a infra-estrutura da África do Sul não são exatamente dentro daquilo que se convencionou chamar padrão FIFA, referindo-se ao famoso caderno de encargos, que em teoria deve ser observado pelo país que queira sediar uma Copa do Mundo.

No estádio onde foi jogada a final, os lugares não são 100% cobertos e nem de longe, segundo a imprensa brasileira, nenhum dos locais de jogos sequer chega perto do Allianz Arena ou do Estádio Olímpico de Berlin, usados na Copa da Alemanha, que foi considerada a melhor de todos os tempos em organização.

Guardemos o fato de que a Alemanha é um país (muito) rico e tem a organização em sua cultura, coisa que não acontece nem na África do Sul, muito menos no Brasil.

Mas o que ficou claro, é que a FIFA é flexível em relação ao cumprimento de tais metas do caderno de encargos, até porque ela não pode exigir que todos os países-sede tenham o mesmo poder de investimento que a Alemanha.

Porém eu tenho notado uma verdadeira febre brasileira em adotar o padrão FIFA como uma espécie de mandamento divino que deve ser cumprido à risca, apresentando-se projetos mirabolantes e milionários, de tal forma que o intuito é construir doze estádios praticamente novos, nem que para isso (óbvio) os governos tenham que assumir a tarefa em situação emergencial, tal qual o que aconteceu nos Jogos Panamericanos de 2007.

A impressão que ficou da Copa das Confederações é que o Brasil não precisa fazer loucuras como cobrir o Morumbi e o Mineirão, alterar a arquitetura tombada do Maracanã, muito menos construir um estádio novo em Recife, onde há pelo menos dois em plenas condições de receber reformas para sediar o evento.

Bastaria adequar a estrutura interna dos estádios, arrumar a circulação em volta deles e garantir plenas condições de trabalho para a imprensa, higiene e conforto para os usuários.

Mais do que isso, Johanesburgo terá dois estádios na Copa 2010, o que significa que, por medida de economia, cidades como o Rio de Janeiro (que já tem um estádio em plenas condições de sediar o evento), São Paulo e Porto Alegre poderiam assumir duas sedes, concentrando investimentos e fazendo economia.

Tenho a impressão que todo o lobby para impor 12 sub-sedes e erguer arenas caríssimas tem por finalidade assaltar os cofres públicos, não é exatamente uma exigência da FIFA.