NÉO-NAZISMO TUPINIQUIM?

Tenho lido vários comentários e opiniões sobre esse caso da brasileira que supostamente se auto-flagelou na Suiça, caso ainda não totalmente explicado, em que o governo brasileiro agiu com rapidez incomum e uma incompetência que não se deve aceitar, vinda de um órgão que deveria ser altamente técnico como o Itamaraty.

Não vou entrar no mérito do que efetivamente aconteceu com a brasileira na Suiça.

O fato é que qualquer ato que envolva suspeita de néo-nazismo deve ser muito bem apurado, não para proteger brasileiros, mas para proteger a humanidade.O néo-nazismo tem muitas formas de manifestação. A xenofobia é uma delas, mas não deixam de ser néo-nazistas os milicianos seguidores de Hugo Chaves na Venezuela, ou os torcedores que agridem atletas negros na Alemanha e na Itália ou, ainda, esses indivíduos que transformaram os trotes de universidades brasileiras em casos de polícia.

Isso porque o nazismo não foi um movimento estritamente racial. Ele foi um movimento que adotou a violência desmedida e indiscriminada para conseguir seus fins, sejam eles simplórios, como humilhar e massacrar colegas de faculdade, sejam eles elaborados, como tomar e manter à força o poder de países inteiros.

Portanto, as autoridades brasileiras deveriam ter requisitado informações às autoridades suiças, por meio da embaixada, seguindo os canais adequados e principalmente, o protocolo que isso envolve.

Mas não! O Brasil foi tomado de histeria porque houve um suposto ataque néo-nazista a uma brasileira e isso foi noticiado numa grande rede de TV, o que levou o próprio ministro Celso Amorin a tomar as dores de uma conterrânea nossa lá, coisa que governo estrangeiro nenhum aceitaria, muito menos o da Suiça, porque envolve um ato de desqualificar sua própria organização nacional.

Eu me pergunto:

Que moral têm as autoridades brasileiras para querer dar de dedo nas suiças? No Brasil, 95% dos homicídios simplesmente não são investigados, a corrupção policial é uma praga e o Judiciário é disfuncional. No verão passado, eu soube de pelo menos dois turistas estrangeiros barbaramente assassinados aqui no Brasil e, que eu saiba, até hoje os casos não foram totalmente esclarecidos, e nem por isso os ministros de relações exteriores dos países origem interviram diretamente nos casos, até porque, é para isso que existem corpos diplomáticos, embaixadores e cônsules.

Que moral têm os brasileiros para se acharem mais injustiçados que os outros pelo mundo afora? Milhares de brasileiros emigram ilegalmente todos os anos para os países ditos desenvolvidos. Subvertem a Lei daqueles países como, aliás, ignoram as Leis brasileiras quando aqui vivem e, uma vez agredidos, se acham mais injustiçados que os outros?

Tenho comigo que país nenhum gosta de imigrantes. Uma coisa é gostar de turistas e investidores, outra, completamente diferente, é receber de braços abertos uma horda de pessoas desqualificadas saídas do Brasil para a Suiça ou da Noruega para a Argentina, ou ainda da Argentina para o Brasil, competindo com nacionais por empregos.

No Brasil também há xenofobia. Não faz muito tempo, noticiou-se da situação degradante pela qual muitos bolivianos passam em São Paulo, trabalhando como escravos e as vezes sendo denunciado às autoridades migratórias (Polícia Federal) para que sejam deportados sem que seus patrões lhes paguem mínimos direitos trabalhistas.

Nesse caso com a Suiça, o Brasil se pautou por uma indignação hipócrita. A pessoa que muda para o exterior tem que entender que vai viver num país que não é seu, e terá necessariamente que sujeitar-se a certo grau de discriminação. Seja um profissional qualificado, seja um trabalhador braçal, toda pessoa que experimenta sair do seu país não será tratada do mesmo jeito que é em em casa.

Casos de agressão por néo-nazistas podem afetar qualquer pessoa, de qualquer nacionalidade em qualquer lugar do mundo. Há "skin-heads" no Brasil também e como ficariam nossas autoridades se eles atacassem um americano e de repente, a própria Hillary Clinton, Secretária de Estado, viesse pedir explicações para nossas autoridades?

Certamente haveria um show de nacionalismo anti-yankee a defender a honra nacional!

Ainda bem que na Suiça as autoridades agem como autoridades, não como vedetes de TV. Caso contrário, estaríamos vendo um bate-boca sem sentido entre ministros de Estado que deveriam preocupar-se mais com os macro-problemas que todo país enfrenta.

Se a moça brasileira foi agredida na Suiça e as explicações dadas pelas autoridades de lá forem contraditórias ou cheias de lacunas, haverá sim, motivo para protestos diplomáticos.

Mas não, o Brasil não esperou nem as investigações preliminares para dar um show de como não agir em relações exteriores.