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CRISE

Essa crise financeira dos EUA é o resultado do excesso de otimismo nos mercados financeiros, porque o negócio de financiamento imobiliário de lá era altamente lucrativo e todas as instituições entraram pesado nele, acreditando na garantia real (o imóvel) que reduziria o risco de perdas.

Uma blogueira me explicou que o cerne da crise é justamente esse. Um indivíduo comprava um imóvel por 500 mil dólares e o dava em garantia. Após certo tempo, paga uma parte da hipoteca, ele refinanciava o saldo e pegava mais dinheiro, o que ele havia pago até então, fechando 500 mil dólares.

A dívida sempre refinanciada se mantinha e o indivíduo, aproveitando a garantia real, comprava carro, viajava e de modo geral consumia. Uma farra de dinheiro fácil com taxas de juros boas, porque, afinal, os bancos achavam ter o imóvel como garantia, e ele dificilmente perderia valor.

Essa história é nebulosa e difícil de explicar até para economistas, de modo que eu escrevo apenas a título de palpite.

Quando o preço do petróleo começou a subir, os americanos sofreram impacto imediato no bolso. E de repente, milhares de pessoas resolveram entregar seus imóveis e diminuir seu endividamento, de modo que as instituições ficaram com milhares de bens com valor nominal alto mas que, pelo excesso de oferta que seguiu, não conseguem ser vendidos sem uma perda considerável.

Pura oferta e procura, mas ninguém previu tantos imóveis postos à venda ao mesmo tempo.

A crise já vinha se arrastando há tempos, mas hoje ela consolidou-se. O 4º maior banco de investimentos dos EUA, o Lehman Brothers, anunciou perdas gigantescas e declarou pedido de concordata que, para um banco, equivale a pedir falência.

Bem, bancos quebrados significam algo como:

a) Diminuição global de crédito;
b) Aumento da taxa de juros pelo mundo afora, porque os governos terão de intervir no sistema financeiro e, portanto, captar dinheiro para financiar a salvação do sistema;
c) Queda generalizada da atividade econômica. Até porque, a economia americana reflete no mundo todo.

Vai chegar ao Brasil?

Claro que vai.

O país efetivamente está mais preparado para enfrentá-la, e há fatores que indicam que, desta vez, a crise não será tão danosa por aqui, tais como:

a) Ela é nos EUA, país cujos títulos da dívida pública sempre foram a táboa de salvação dos investidores internacionais fugídios de economias terceiro-mundistas em crise, como a Rússia ou os da Ásia;

b) Boas reservas em moeda forte;

c) Consumo interno acelerado e cuja tendência é manter-se, porque a demanda estava reprimida há décadas. Isso pode compensar em parte, a perda de investimentos estrangeiros;

d) A economia interna do Brasil, ainda paga as taxas de juros mais pornográficas do mundo. Uma TV de Plasma comprada no hipermercado em 48 prestações cobra uma taxa mensal de no mínimo 5%. Se os juros subirem nos mercados internacionais, o consumidor brasileiro não sentirá tanta diferença, porque ele sempre pagou taxas absurdamente mais altas que o resto da humanidade.

Mas é impossível que uma sociedade exportadora de commodities como a nossa, não sinta o reflexo da desaceleração mundial, ainda mais porque o Estado brasileiro ainda é extremamente deficitário (a gigantesca horda de funcionários em cargos em comissão, milhares inúteis, pode cobrar o seu preço agora) e qualquer mínima perda de receita tributária pode ter consequências que vão além do discurso oficial otimista.

Na primeira crise do petróleo, em 1974, o Brasil optou por manter-se em crescimento acelerado e encarar a crise apostando que ele compensaria os problemas. Não deu certo e isso levou o país a 20 anos de descontrole.

Guardadas as proporções, e considerando os fatores positivos, penso que o Brasil adotará desta vez uma solução menos radical: as taxas de juros continuarão subindo, haverá arroxo de crédito e consumo, mas nada tão radical que cause recessão grave, de tal modo que medidas mais duras só ocorrerão em situações extremas que afetem o país.

É um palpite meu. Mas se em contrário o Brasil resolver acelerar e encarar a crise novamente como fez na década de 70, arrisca ver a vaca ir pro brejo por mais 20 anos.

E escrevo tudo isso desconsiderando um fator que entre nós é sempre preponderante nas decisões econômicas: o custo político.

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