IMAGENS DO CORITIBA


No Coritiba, nada é fácil.

Um Coxa-Branca sabe que nosso time nunca festeja campeonatos com antecipação. Aqui, a classificação para alguma coisa só chega no apagar das luzes, quando os pessimistas desistem e os otimistas rezam.

O Coritiba é um teste cardíaco e vai que é por isso que o coração bate tão forte por ele.

E ontem não foi diferente.

O valente Vitória não se intimidou. 35 mil pessoas, para um clube da Bahia, é palha, porque na Fonte Nova ou no Barradão nunca tem jogo com menos de 20 mil.

E o Coxa empurrado pelo 35 mil foi lá e fez 1x0 com Fabinho. E o Vitória partiu pra cima e empatou com Joãozinho. E no segundo tempo, Túlio deu um tirambaço indefensável e o estádio tremeu. Mas o Vitória foi lá, e Joãozinho empatou de novo.

E a festa ficou para depois do apito...

Algo bem Coxa! Essas coisas que nos fazem sofrer mas só aumentam nosso amor pelo quase centenário alvi-verde. E que nos fazem lembrar do Torneio do Povo em 1973 quando o Coxa foi campeão na Bahia nos minutos finais e com apenas 8 jogadores em campo. Ou quando o dedo de Deus não deixou uma bola maliciosa do Bangu entrar pelas traves do Maracanã lotado em 31/07/1985. Ou ainda, naquele 3x2 histórico em pleno Joaquim Américo em 2004. Ou ainda, um gol de Paulo Vecchio no antigo Joaquim Américo, aos 44 do segundo tempo, na final do Paranaense de 1969.

Mas o fato é que o sofrimento aumenta a atenção. A angústia ajuda a gravar em nossos espíritos cada momento feliz, tornam indeléveis em nossas memórias cada explosão de alegria.

Dentro de alguns anos, terei o prazer de dizer para os mais jovens que em 2007 o Coxa subiu para a série A.

E que numa terça-feira gelada e chuvosa de julho 2007 em que eu tiritava de frio e o Coxa perdia até 37 do segundo tempo, ele virou com um gol aos 47, o que me fez abraçar desconhecidos e correr feito um maluco pelo estádio.

E que isso só foi possivel porque vestindo aquelas camisas haviam garotos Coxas desde a infância, saídos das categorias inferiores, os bravos Henrique, Pedro Ken, Marlos, Keirrison, Carlão, Douglas Silva e outros tantos... e graças aos guerreiros contagiados pela massa verde, Anderson Lima, Túlio, Gustavo e Edson Bastos, entre outros.

E que em 2007 a torcida "saiu do chão" para gritar pelo verdão, e que costurou um bandeirão mais alto que o estádio, e que distribuiu faixas de "Coxa, eu te amo!"







E que o Coxa subiu pela força de um povo que não o abandonou.




PS: Os leitores, já acostumados, aguardavam Imagens de Curitiba, mas permitam-se a egotrip Coxa-Branca.

PS-2: Estou no Coxan@autas hoje. Leia aqui.