O SILVIO SANTOS NÃO É LADRÃO



É muito provável que o rombo do Banco Panamericano tenha sido causado por crime, segundo indícios levantados pelo Banco Central nestes últimos dias. Há informações no sentido de que ativos revendidos não tenham sido baixados da contabilidade, e que investidores específicos recebiam remuneração acima da de mercado para desviar recursos da instituição.

Mas isso não significa de maneira alguma que Silvio Santos, controlador da "holding" do grupo que leva o seu nome artístico, seja ladrão, corrupto, criminoso de colarinho branco ou qualquer outra coisa nesse sentido, como alguns comentários que li na internet e um outro, em um jornal aqui da minha cidade.

Primeiro porque ele não era diretor do banco. Se errou ao indicar para a presidência um parente não exatamente qualificado para a função, mesmo assim ele não praticou atos de administração. Portanto, não está sujeito ao bloqueio de bens dentro de um prazo com termo legal inicial anterior estabelecido no ato de intervenção.

E também porque ele sabia, por ser controlador da "holding", que o banco era a empresa do grupo que mais gerava caixa e mais dava lucros. Ele mesmo afirmou que enquanto o SBT gerava 40 milhões de lucro em determinado período, o banco multiplicava esse número por 3. Ou seja, ele acreditava na boa gestão porque a regra de uma má gestão é universal e simples: ela causa prejuízo ou diminuição sensível de lucratividade. Assim, agiu como qualquer empresário agiria, especialmente com a existência de relatórios de auditoria independente que diziam estar tudo bem, porque a função dela é justamente esta, apontar defeitos de gestão que apareçam ou não nas demonstrações contábeis.

Ou seja, foi enganado pelos diretores e levado a erro por uma auditoria independente que em nada alertou os acionistas do banco de fatos estranhos (inclua nisso a Caixa Econômica Federal).

Particularmente, sou crítico dessas "auditorias independentes" há muito tempo, porque se elas funcionassem mesmo, muitas quebras, falências e intervenções teriam sido evitadas na economia brasileira. Mas isso é outro assunto e mesmo assim, temos que considerar, como SS deve ter feito, que nem todas elas são ineficazes, afinal, o banco repassava lucros pomposos para a "holding".

Mas no fim das contas, Silvio Santos veio a público como nunca antes um banqueiro havia feito no Brasil, para explicar a situação e garantir a todos os interessados que os débitos da instituição seriam pagos e mais que isso, estavam a partir dali garantidos pelo seu patrimônio empresarial, especialmente o Sistema Brasileiro de Televisão (3a. maior rede do país), a cadeia de lojas Baú da Felicidade, a empresa de cosméticos Jequiti e dezenas de outros negócios menores, cujo valor de mercado supera em muito o valor do empréstimo que foi tomado para regularizar as operações bancárias do Panamericano.

Em um país que teve quebras bilionárias de instituições cujos administradores e acionistas simplesmente desapareceram, deixando a função de indenizar os prejudicados para o Banco Central, vide COMIND, Habitasul, Sulbrasileiro, Coroa-Brastel, Banco Santos, Banco Econômico e Banco Nacional, Silvio Santos deu uma lição de integridade e honradez, quando podia aferrar-se aos seus advogados e transformar a questão em uma batalha jurídica de décadas para definir responsabilidades sem se importar com quem eventualmente estivesse prejudicado. Das quebras bancárias do Brasil, que eu saiba, apenas a do Banco Bamerindus gerou devolução de valores aos acionistas, ou seja, todas as demais deram prejuízo ao público sem que um diretor viesse à imprensa para se dizer preocupado com a situação de terceiros.

Esse episódio me faz admirar ainda mais a figura do Silvio Santos, que construiu um grupo empresarial gigante a partir do trabalho de camelô, que concorre com competência contra uma gigantesca empresa de comunicações e contra o braço televisivo de uma igreja pentecostal, e que trabalha ininterruptamente até hoje, prestes a completar 80 anos de idade. Homens como ele engrandecem um país, apesar dos percalços que a vida prega.






PS.: Apóio a campanha acima, sob o ponto de vista de evitar a violência doméstica e a palmada destituída de fundamento. Mas a palmada educativa, dentro dos limites do bom senso é válida e sua proibição seria apenas mais um episódio da tradicional hipocrisia brasileira, que acha que redigir Lei e tirar direitos de pessoas sensatas resolve problemas. A Lei não resolve e pessoas ignorantes vão continuar espancando crianças gratuitamente.