EM DEFESA DA GENTE COXA-BRANCA

Frequento estádios desde os 6 anos de idade, portanto, há mais de 34. Sempre torci pelo Coritiba em paz, sem agredir ninguém e sequer aventando qualquer ato violento.

E como eu são milhares de pessoas que agem do mesmo jeito.

O que tenho lido e visto nos últimos dias, de gente acusando todos os Coxas-Brancas de violentos e criminosos é revoltante e desproporcional, na exata medida em que todos os grandes clubes de futebol do país têm torcedores envolvidos em atos violentos.Um blogueiro do Globo.com chegou a afirmar que todos os Coxas-Brancas aplaudem a violência e a incentivam, todos são cúmplices dos atos errados dos membros marginais da torcida organizada Império ALvi-Verde, sem, claro, olhar para o próprio umbigo e ver o que acontece nas organizadas do clube dele.

Ou será que os dois mortos no Rio de Janeiro na festa de campeão do Flamengo foram assassinados por Coxas-Brancas? E os incidentes pós-jogo de Santos e Cruzeiro, foram Coxas-Brancas que promoveram?

Seriam Coxas-Brancas os indivíduos que no Atle-Tiba do segundo turno do brasileirão de 2008 arrancaram grades do estádio Couto Pereira e as exibiram como troféus? Ou ainda, seriam Coxas-Brancas os indivíduos que, no espaço dedicado à torcida rubro-negra, enfrentaram a polícia com paus e pedras na mesma ocasião?

Foram Coxas-Brancas que mataram um rapaz numa final de campeonato de juniores em São Paulo, anos atrás?

No jogo de domingo, algo em torno de 50 marginais adentraram em campo e foram filmados praticando delitos. Mas a mídia esqueceu de anotar as provocações feitas pela torcida do Fluminense (bexigas cheias de urina atiradas contra a torcida do Coritiba) e esqueceu de salientar que o time carioca atrasou o início do jogo em 10 minutos no primeiro e 8 no segundo tempo, com intenção clara de acirrar os ânimos e deixar tanto a torcida quanto o time do Coritiba nervosos.

O engraçado é que atos violentos e omissivos se sucedem no futebol brasileiro. Em 1992, morreram 3 pessoas num desabamento no Maracanã superlotado. Nem o Flamengo, nem o Botafogo foram punidos na ocasião. Em 2000, houve mortos e feridos em São Januário superlotado, até hoje não se sabe de punição contra o Vasco da Gama. E ano passado torcedores do Corinthians fizeram o diabo num jogo contra o River Plate, também não aconteceu nada com o time paulista. Em 2005, o ônibus da delegação do Coritiba foi invadido por torcedores do Vasco da Gama, que agrediram atletas e dirigentes. Nenhuma punição adveio, nem da justiça comum, nem da justiça esportiva para o Vasco da Gama. No estádio Arena da Baixada, que sediará a Copa do Mundo, torcedores dos dois clubes trocaram bombas no primeiro turno do brasileirão deste ano, fato comum, sendo que os torcedores do clube rubro-negro já chegaram a depredar as instalações da mesma praça esportiva, quando perderam uma final de paranaense para o Coritiba em 2004. Pelas bombas, Coritiba e Atlético foram absolvidos no STJD.

É claro que o Coritiba DEVE e PRECISA ser punido, porque vender ingresso a preço de banana foi uma das causas da tragédia. Encher o estádio de punguistas, bêbados, drogados e todo tipo de marginália que só entra em eventos assim quando é quase de graça airrou os ânimos. Houve um processo temerário que impõe, sim, a punição do clube dentro dos parâmetros legais, mas não além deles.

Mas porque só o Coritiba? Porque só agora se defende a punição exemplar? Porque eu, uma pessoa honesta e pacífica, tenho que ser pintado como marginal violento apenas por ser Coxa-Branca?

Curitiba é uma cidade violenta. A imagem de capital modelo e povo educado não condiz com sua realidade. Todas as vezes que as torcidas do Coritiba e do Atlético se encontram nas ruas, há brigas, trocas de bombas e problemas sérios. Falta policiamento (e dentro da polícia falta efetivo, equipamentos e ações de inteligência) e há bolsões de miséria e violência pela cidade, onde a impunidade grassa, em face de um Judiciário incapacitado e leniente, igualzinho ao do resto do Brasil.

Se existe pressão da FIFA para solucionar o problema curitibano de violência, contactem antes o governador do estado, mas não culpem milhares de pessoas honestas pelos atos de algumas centenas de marginais travestidos de torcedores, porque marginal é marginal, não depende da opção futebolística para praticar atos de barbárie.